Mulher 🌻
- rafaela Mazzini
- 8 de fev.
- 3 min de leitura
Há tantas ideias na minha cabeça para escrever que, na verdade, não sei como priorizá-las. Este espaço é um pouquinho da minha loucura e da minha paixão pela arte e pela vida. Os primeiros blogs estavam mais voltados para experiências de transformação e hoje eu gostaria de falar sobre como é ser MULHER.
Aqui começo com a frase maravilhosa do gênio Caetano Veloso:"Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é"
Eu amo ser mulher: nossa sensibilidade e nossa intensidade. A forma como abraçamos o mundo e tentamos fazer tudo ao mesmo tempo. A famosa intuição feminina que tantas vezes nos “protege” de muitos enganos.
Pensamos em Adão, Eva e Lilith. Segundo algumas tradições, Lilith foi a primeira mulher de Adão, criada do mesmo barro que ele, igual a ele. Mas não quis se submeter nem aceitar um papel de submissão. Ao se recusar a “obedecer”, foi expulsa do Éden e por isso passou a ser vista como um personagem sombrio ou até mesmo malvado em algumas religiões.
Eu prefiro vê-la de outra maneira, Lilith foi a primeira mulher que disse “não”. A primeira que escolheu seguir seu próprio caminho, mesmo que isso significasse enfrentar julgamento e rejeição. Representa a força de dizer: “meu valor não depende de agradar ninguém” e de viver a vida segundo seus próprios termos. Nos lembra que ser mulher não é apenas doar-se e adaptar-se, também é reivindicar espaço, voz e poder.
Nosso caminho é mais árduo e mais longo, mas também tem mais graça e alegria. O normal é que sejamos mais emotivas e viscerais.
Na vida, tive muitas mulheres como exemplo, mulheres fortes que suportaram tudo e lutaram contra as desigualdades. Minha madrinha, Thais, é um exemplo de mulher com M maiúsculo. Na época dela, “o normal” era se formar como professora. Ela fez isso para agradar minha avó e, quando terminou, disse: “Agora estudarei o que eu quero!”.
Formou-se em engenharia civil na universidade federal, uma carreira que na época era quase impossível para uma mulher. Trabalhei com ela por um tempo e a observei muito. Entrava em uma reunião cheia de homens, nunca a vi abaixando a cabeça para nenhum. Com muita personalidade abriu caminhos e é um exemplo enorme para mim.
Outra mulher fundamental na minha vida foi minha bisavó, dona Irene. Uma mulher incrível que me ensinou muito sobre a vida. Forte, firme e cheia de amor, cuidou de toda sua família. Minha tia Consuelo seguiu seu legado e foi o eixo da família, outro exemplo.
Há muitas outras mulheres que me inspiram, cada uma à sua maneira. Eu tenho um pouquinho de cada uma dentro de mim.
Há algum tempo fui a uma exposição sobre a pintora Suzanne Valadon e fiquei fascinada com sua história.
Começou sua vida sendo modelo para pintores famosos (Renoir, Degas e Toulouse-Lautrec). Muito cedo ficou grávida e viu seu meio de vida mudar, já que depois da gravidez não tinha mais o mesmo corpo de antes. Sofreu preconceitos e dificuldades. Ao observar os pintores, começou a pintar seus próprios quadros
Durante muito tempo não foi respeitada como pintora, por ser mulher, por vir do mundo da modelagem e por não se encaixar no que era “correto” para a época. Morreu sem ter recebido todo o reconhecimento que merecia. Anos depois, seu filho honrou sua obra e hoje ela é considerada uma figura-chave da arte moderna.
Nós também nos vemos representadas na beleza e na força. Me vem à cabeça O nascimento de Vênus de Botticelli, que transmite sutileza, elegância e poder. Vênus não é frágil, emerge do mar com segurança, pronta para habitar e transformar o mundo. É um símbolo da mulher que acredita em si mesma e em sua capacidade de criar e inspirar.
Na mitologia grega, Afrodite nasceu do mar e flutuou até a costa sobre uma concha. Os romanos a chamaram de Vênus e sua figura simboliza beleza, amor, desejo e força. Não é apenas bonita, move paixões, transmite intensidade e transforma com sua presença e magnetismo. É independente, sábia e poderosa.
Obrigado a todas essas mulheres incríveis que nos mostram o quanto somos grandes: Tarsila do Amaral, Frida Kahlo, Marie Curie, Rosa Parks, Virginia Woolf, Ana Frank, Marias, Malus, Leas, Nilzas, Cidas, Olivias, Luzias, Suzanas, Consuelos, Giovanas, Nathalias, Rosangelas, Renatas, Rafaelas, Flavias, Tanias, Rosarios, Julietas, Nadias, Claudias, Danis, Mayras, Sabrinas, Alessandras, Ingryds, Lucias, Clarinhas, Julias, Marinas, Tetes, Gabis, Martas, Albas e muitas mais.
*Recomendo a leitura do livro ilustrado Mujeres en el Arte, da autora Rachel Ignotofsky








👏👏👏👏👏👏👏👏👏❤️❤️❤️
Quanto orgulho de vc. Bj